segunda-feira, 22 de junho de 2009

Bricoleur Multimídia

Esse é o nome da mostra que começa em São Paulo na próxima quarta, 24. Na Carta Capital desta semana, há um trecho do artigo de Maria Dora Mourão, da ECA-USP, que consta do catálogo-livro: “Fotografia e cinema são sua matriz, mas sua arte é híbrida, pois trabalha com fotografia, cinema, vídeo, instalações interativas, poesia, literatura e música”, escreve a professora sobre Chris Marker.

Abaixo, matéria publicada no site Catraca Livre:

Nome dos mais relevantes e misterioso do cinema e do audiovisual contemporâneos, o cineasta, fotógrafo, escritor e artista multimídia francês Chris Marker ganha inédita retrospectiva de sua obra em São Paulo (24 de junho a 5 de julho).

A mostra “Chris Marker, bricoleur multimídia” reúne pela primeira vez no Brasil 33 dos títulos mais significativos do realizador, incluindo filmes, vídeos e séries para TV – como a série “Falamos de…”, definida como “de contra-informação”, que em dois episódios focaliza o Brasil da ditadura militar, tratando de torturas e do militante Carlos Marighela.

O evento também publica um catálogo-livro com resenhas, ensaios e artigos de autores do Brasil e do exterior - incluindo textos inéditos -, além da filmografia comentada e uma entrevista com Marker. Entre outros nomes, assinam os textos Arlindo Machado, Consuelo Lins, Raymond Bellour, Michael Shamberg e Anatol Dauman.

Ilustração: Cartaz oficial da mostra, que já passou pelo Rio e Brasília.

Robozinhos inteligentes

Uma empresa japonesa anunciou o lançamento de pequenos robôs - chamados micropets-i - em forma de bichos, equipados com sensores que permitem o desvio de obstáculos, e comunicação infra-vermelha que dá aos brinquedos a possibilidade de seguir atrás de um objeto em movimento e de "cantar" em coro.

Quem quiser saber mais sobre a tecnologia pode acessar a página da empresa: www.takaratomy.com.jp.

domingo, 21 de junho de 2009

Formas da evolução

Muita calma nessa hora: nem é arte evolutiva, nem evolução da arte, pelo que entendi, o que se pretende mostrar na exposição “Darwin endless forms”. Na chamada da página inicial do Museu Fitzwilliam, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, está definida assim: “A ciência encontra a arte numa exposição que explora a fascinante relação entre as teorias revolucionárias de Charles Darwin e a arte do século XIX.”

O criador da Teoria da Evolução viveu entre 1809 e 1882, portanto a ligação que se busca é no mínimo pertinente, em virtude do grande impacto de seu trabalho na ciência e fora dela. Para os organizadores, a produção artística do período demonstra que essa influência variou da ansiedade ao entusiasmo diante das implicações da ciência natural. Por outro lado, também se tenta resgatar a arte que teria influenciado o cientista na concepção de suas idéias.

Abaixo a matéria da Reuters traduzida pelo Estado de São Paulo e publicada na última sexta-feira. Em seguida, alguns exemplos da mostra: Heade, Gosse, Monet e Degas. E no final do post, os links do museu britânico e da exposição.

Exposição mostra o efeito evolutivo de Darwin sobre a arte

PAUL CASCIATO – REUTERS

CAMBRIDGE - O que Thomas Maltus, uma escultura de Degas e a complexa dança de acasalamento de um faisão da Malásia têm em comum? A resposta é Charles Darwin, de acordo com uma exposição que acaba de ser inaugurada no Museu Fitzwilliam, na Universidade de Cambridge, onde belas-artes, os desenhos de naturalistas, livros contemporâneos de Darwin e animais empalhados traçam um retrato do mundo do século 19, que moldou e foi moldado pelas teorias de Darwin sobre a evolução.

"Formas Sem Fim, Charles Darwin, Ciência Natural e as Artes Visuais" é o título da exposição que foi aberta na terça-feira no Fitzwilliam, mas que vem sendo preparada há cinco anos, contou à Reuters a curadora Jane Munro. "O que fazer com um tema tão amplo quanto Darwin e a arte é algo que exige um pouco de reflexão", disse Munro, enquanto visitantes passeavam entre pinturas relacionadas de Tissot, Cézanne e um estante repleta de beija-flores coletados por um contemporâneo de Darwin e expostos na Grande Exposição de 1851 em Londres.

Os quase 200 objetos expostos são divididos em sete partes: O Olho de Darwin, A História da Terra, A Luta pela Existência, Parentes Animais, A Ascendência da Humanidade, Darwin, Beleza e Seleção Sexual e Darwin e Os Impressionistas. A narrativa salta do conceito direto das influências visuais que pinturas, desenhos e os desenhos botânicos detalhados do mentor de Darwin na Universidade Cambridge, John Stevens Henslow, teriam exercido sobre Darwin, para os efeitos que as teorias dele teriam tido posteriormente sobre cartunistas, cartões postais e artistas como Cézanne, Monet e Degas.

Munro disse que os visitantes à exposição - que inclui a escultura "Pequena Dançarina, 14 Anos de Idade", de Edgar Degas, peças raras normalmente escondidas do olhar público e várias outras obras famosas cedidas por museus de diversas partes do mundo precisam manter a mente aberta para acompanhar a narrativa, às vezes complexa. "Se vierem com a mente aberta, podem sentir-se enriquecidos", disse a curadora.

A exposição relaciona com habilidade as obras do próprio Darwin - "A Origem das Espécies", "A Ascendência da Humanidade" e "A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais" - a alguns dos objetos incomuns expostos, como um vídeo de uma dança de acasalamento do faisão Grande Argus da Malásia e uma pintura de 1864-5 de John William Inchbold comparando a cabeça de uma menina com a plumagem da ave-do-paraíso.








Museu: http://www.fitzmuseum.cam.ac.uk/

Mostra: http://www.darwinendlessforms.org/


sábado, 20 de junho de 2009

Da tecnologia à arte


“Quanto mais tecnologia eu vejo, mais acredito no talento”.

A afirmação foi feita por Nelson Motta, ontem, em palestra para o Porto Musical sobre “o futuro da indústria fonográfica com o advento das novas tecnologias e meios de comunicação”.

Apesar de dirigida à música, a frase que soa como advertência vale para toda forma de arte, e mais ainda para aquela produzida pelo artista tecnológico, pois traz implícito o questionamento do “valor da obra” em relação ao aparato tecnológico de que se serve – quando não é, a própria obra, pura expressão do aparato, deslocado de seu ambiente “natural”.

O que me recorda a discussão sobre as razões que levam o público, nas bienais, a fazer mais fila para o pavilhão de arte tecnológica do que para as salas classificadas como arte contemporânea, com menor, ou nenhum, convite à interatividade. Imagino que seja devido ao mesmo tipo de apelo que provocavam (e ainda provocam) os experimentos escolares nas feiras de ciências, onde, por exemplo, os cabelos ficam “em pé” por causa da eletricidade e viram motivo de brincadeira.

O escritor de ficção científica Arthur C. Clarke, que também era cientista, disse que a tecnologia avançada provoca nas pessoas o mesmo fascínio proporcionado pela magia. Com a arte tecnológica, pode-se emendar, esse fascínio encontrou novos portos, multiplicaram-se os objetos fascinantes para fitar.

E se tornou muito mais difícil ao olho contemporâneo destrinchar o que provém de um inquestionável talento (cuja conceituação parece ter perdido significado, com a desvalorização da aura romântica) e aquilo que pode ser só o resultado lúdico de uma boa sacada, potencializado pela curiosidade do público mais diante da novidade tecnológica do que da elaboração artística.
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Foto: AFP - Promoção de feira de energia na Alemanha, em janeiro.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Enigma: nova obra de Eduardo Kac


Aí vai a descrição da nova obra de Eduardo Kac, como recebi por e-mail do próprio site do artista:


A obra central na série "História Natural do Enigma" é um plantimal, uma nova forma de vida que Kac criou e à qual ele dá o nome de "Edunia", uma flor criada através de engenharia genética que é um híbrido do artista e Petunia.
A Edunia de Kac expressa o ADN exclusivamente em suas veias vermelhas.Desenvolvida entre 2003 e 2008, "História Natural do Enigma" será exibida de 17 de abril a 21 de junho de 2009, no Museu de Arte Weisman, em Minneápolis.A flor é um novo tipo de Petunia que Kac inventou e produziu através de biologia molecular. A Edunia não é encontrada na natureza. Ela tem veias vermelhas e pétalas cor de rosa. Um gene do artista é expresso em todas as células de suas veias vermelhas, isto é, o gene de Kac produz uma proteína somente na rede venosa da flor. O gene foi isolado e sequenciado a partir do sangue de Kac.
As pétalas cor de rosa, contra as quais as veias vermelhas são vistas, são evocativas do próprio tom de pele rosada de Kac. O resultado desta manipulação molecular é uma planta que cria a imagem viva de sangue humano correndo nas veias de uma flor.
O gene que Kac selecionou é responsável pela identificação de corpos estranhos. Ou seja, nesta obra, é precisamente aquilo que identifica e rejeita o outro que o artista integra no outro, criando assim uma nova espécie de ser que é parcialmente flor e parcialmente humano.
"História Natural do Enigma" é uma reflexão sobre a contiguidade da vida entre as diferentes espécies. Usa a vermelhidão do sangue e a vermelhidão das veias da planta como um marcador do nosso patrimônio comum.
Com a combinação do ADN humano e o da planta em uma nova flor, de uma maneira visualmente dramática (expressão em vermelho do ADN humano nas veias da flor), Kac faz brotar a poética da contiguidade da vida entre as diferentes espécies.
Na expectativa de um futuro no qual Edunias possam ser socialmente distribuídas e plantadas por toda parte, Kac criou um conjunto de "Edunia Seed Packs" (Pacotes de Sementes da Edunia), que estão incluídos na exposição. Os "Edunia Seed Packs", baseados em uma série de litografias, contêm as sementes da Edunia e fazem parte da coleção permanente do Museu de Arte Weisman.
Para obter informações adicionais, visite o website de Kac: http://www.ekac.org/nat.hist.enig.html

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A luz pela janela

No último domingo, escrevi para o blog .2009. um artigo que tem algumas referências a partes de nossa aula de ontem. Reproduzo abaixo só um trecho. Quem quiser conferir ele inteiro, clique aqui.

O manuseio – por assim dizer – da informação, seu tratamento desde a extração de uma galáxia de dados até o escrutínio dos valores e signos adequados e a sua utilização prática final, transformou-se num dos maiores desafios para o homem do século 21. Desafio que serve de argumento importante para aqueles que defendem a junção cooperativa entre o material biológico e a matéria tecnológica, cujo resultado seria um ser híbrido, nem homem, nem máquina, nem cérebro, nem chip: um outro ser, num outro estágio, imputando à natureza da vida a potência do processamento acelerado da informação.
Para o neurocientista Miguel Nicolelis, a forma como o cérebro humano constrói a realidade está mudando radicalmente a partir do uso de novas tecnologias populares, como a internet e o telefone celular. As crianças estabelecem com o real outro nível de interação, muito mais ágil do que seus pais ou avós. Além disso, a chamada “realidade virtual” a cada dia reduz a necessidade da presença física para a condução de atos e experimentos. Mesmo distantes, dispositivos mecânicos e eletrônicos são considerados pelo cérebro como extensões do corpo, da mesma maneira que para um tenista a raquete é uma extensão do braço. “Como se houvesse uma incorporação”, admite ele.
Pode-se dizer que este processo teve início com a ferramenta límbica que reproduz o mundo, instalando, na frente dos olhos, a janela por onde passa um turbilhão de luz – para usar a imagem sugerida num verso de Shakespeare: “Que luz é aquela, que passa pela janela?”
A referência ao texto de Romeu e Julieta vem da obra do canadense Marshall Mcluhan, Os meios de comunicação como extensões do homem, obra clássica para o estudo de qualquer mídia. Antecipando as conclusões da neurociência, Mcluhan repisa coisas óbvias, como a criação de ambientes humanos diferentes com o advento de novas tecnologias. Mas é preciso começar pelo óbvio para elaborar, em seguida, afirmações polêmicas: “Estamos nos aproximando rapidamente da fase final das extensões do homem: a simulação tecnológica da consciência”.
Enquanto se fala, nas ciências humanas, de uma “simulação” – termo preferido por muitos filósofos – a neurociência em 2009 parte de resultados empíricos para projetar uma “incorporação”, menos semelhante a uma cópia do que a uma fusão, prevista quando se obtiver o reconhecimento total entre os dados bioquímicos do cérebro e os processadores de um chip implantado, ou de um computador remoto a milhares de quilômetros de distância.

quarta-feira, 17 de junho de 2009